A história dos vinhos de Minas Gerais

O preconceito com o vinho brasileiro está sendo quebrado pelo alto padrão que a bebida tem alcançado a cada safra.

Minas Gerais tem sua parcela de contribuição nesse processo, com rótulos premiados nacional e internacionalmente. Há indícios de que o caminho do vinho em terras mineiras remonta ao século XIX.

O início da atividade

MAWE, John - Viagens ao interior do Brasil principalmen

Nos registros do pesquisador inglês John Mawe, sobre suas viagens ao interior do Brasil, entre 1809 e 1810, há relato de ter participado da degustação de um saboroso vinho produzido nos arredores de Villa Rica, hoje a cidade de Ouro Preto. “Convidaram-me a provar um vinho feito de uvas colhidas ali; era excelente. É difícil imaginar um lugar mais favoravelmente situado para a cultura de todas as espécies de frutos”.

Auguste de Saint-Hilaire – Wikipédia, a enciclopédia livre
Auguste de Saint-Hilare

O botânico francês Saint-Hilaire viajou pelo Brasil, no período de julho de 1816 a agosto de 1822, anotando as potencialidades do país no que diz respeito a plantas, animais e minerais.

No seu livro, “Viagem ao Rio Grande do Sul”, menciona regiões com indícios para a produção vitivinícola: “O governo devia encorajar, por todos os meios possíveis, o plantio da vinha e a fabricação dos vinhos nas regiões do Brasil como nesta Capitania de Goiás, no Distrito de Diamantes e na Comarca de Sabará, na Capitania de Minas.”

Em cidades do interior do Brasil, a necessidade de suprir itens necessários para sobrevivência era driblada com a produção local. Dessa forma, o plantio de uvas na cidade de Uberaba foi iniciada pelo Padre Zeferino Batista Carmo, com o intuito de produzir vinhos. Deu tão certo que, em 1888, a Gazeta de Uberaba estampava o anúncio de venda de vinho nacional do vinhateiro Joaquim Ignácio de Souza Lima, residente na localidade, dizendo ser de excelente qualidade, melhor do que aqueles que vinham de Lisboa, de acordo com relatos do historiador André Borges Lopes.

Nessa mesma época, os imigrantes italianos que se estabeleceram no sul de Minas trabalhavam em lavouras de café, mas também plantavam uvas para a produção do próprio vinho.

A recuperação da vitivinicultura mineira

Com o tempo, os lavradores estrangeiros foram trocando o café pelas plantações de uva. No entanto, aos poucos, esta atividade entrou em declínio na região, e o plantio de videiras só foi retomado em 1920, voltado para a produção de vinhos de mesa.

A vocação da região Sul de Minas para tal atividade foi reconhecida em 1936, com a inauguração da Estação Experimental da Epamig – Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, no município de Caldas, com uma linha de pesquisa dedicada ao estudo das uvas e do vinho.

A Dupla Poda

Das suas andanças pelo Brasil, Saint-Hilare registra no livro Viagens às Nascentes do Rio São Francisco e pela Província de Goyas, editado em 1847, que “… algumas pessoas ensairam a fabricação do vinho com a uva deliciosa do tempo da seca e vinagre com a da época da chuva…”

Isso é um índicio de que a técnica da Dupla Poda, com colheita no período do inverno com o tempo seco e amplitude térmica, traria uvas mais sãs e propicias para a produção de bons vinhos.

Na Serra da Mantiqueira, os vinhos “saíram da chuva” e ganharam o mundo -  Market Insider
Murillo de Albuquerque Regina

A vitivinicultura no estado ganhou um impulso com a implantação da inversão do ciclo da videira, sendo que o primeiro plantio a adotar essa técnica foi em 2001, em Três Corações, utilizando a cepa Syrah, por Murillo de Albuquerque Regina, então pesquisador da Epamig e a primeira colheita aconteceu em 2003.

O processo consiste em realizar a primeira poda em agosto e a segunda em janeiro. Nos meses de abril e maio, as plantas florescem, e entre julho e agosto, as uvas podem ser colhidas, quando o tempo na região está mais seco, com dias ensolarados e noites mais frias. Criou-se, assim, a denominação Vinhos de Inverno, transformada em marca coletiva na busca de fomentar o setor.

Minas Gerais, historicamente identificada como região do café e da cachaça, começa a ser reconhecida como produtora de outras bebidas como a cerveja, o gim, o whisky, os drinques prontos e, em destaque, pelos vinhos finos.

A expansão no estado

Conforme apresentado pela Agência Minas, dados da Epamig mostram que o número de vinícolas dobrou nos últimos quatro anos, atingindo mais de mil hectares de vinhedos registrados, fazendo com que a produção atinja cerca de 4 mil toneladas de uva e 2,4 milhões de litros de vinho, movimentando 120 milhões de reais por ano.

Atualmente, os vinhos tranquilos mais produzidos no estado são os tintos, em larga escala, produzidos com a uva Syrah. São também fabricados vinhos brancos, rosés e espumantes, através da Colheita Tradicional – verão e através da Dupla Poda – inverno.

Constantemente estão sendo feitos estudos para adaptação de novas cultivares.

Algumas variedades já plantadas:

Brancas: Sauvignon Blanc, Marsane, Chardonnay, Chenin Blanc e Viogner.

Tintas: Cabernet Sauvignon, Marselan, Grenache, Tempranillo, Touriga Nacional, Mourvèdre, Cabernet Franc, Malbec, Merlot e Petit Verdot.

Quinta do Campo Alegre - 1° Encontro de Vitivinicultura de Minas Gerais Um  dia para ficar na história! #vinhosdeminasgerais #minasgerais  #vinhobrasileirodequalidade #vinho #enoturismo #diamantina  #quintadocampoalegre | Facebook
1° Encontro de Vitivinicultura
de Minas Gerais

O trabalho da Epamig, da Anprovin – Associação Nacional de Produtores de Vinhos de Inverno, eventos como o 1° Encontro de Vitivinicultura de Minas Gerais, ocorrido em abril de 2024 e investimentos estaduais, estimulam o fortalecimento dessa atividade do agronegócio, impactando no desenvolvimento de territórios mineiros, gerando emprego e renda.

Ampliando a oportunidade de apresentação para os consumidores, de 4 a 7 de julho de 2024, as vinícolas mineiras estarão presentes no Espaço Minas + Doce, na Expocachaça, que acontecerá no 4° andar do CenterMinas Expo – Av. Pastor Anselmo Silvestre, nº 1495, União, em Belo Horizonte.

Vinícolas mineiras

Até então, estão identificados 110 empreendimentos em fase de instalação, de produção de uvas e vinificação, implantados em 62 cidades mineiras, sendo que 24 operam atividades de enoturismo e existem mais 5 que estão em fase de implementação.

Premiações dos vinhos de Minas Gerais

O Decanter World Wine Awards é considerado a maior e mais influente premiação no mundo dos vinhos. No ano de 2024, completou o 21° ano de atividade.

Dia 19 de junho foram anunciados os agraciados nas categorias Best in Show, Platinum, Gold, Silver e Bronze.

Número de inscrições: 18.143 vinhos de 57 países

Número de avaliadores: 243

Número de medalhas recebidas pelo Brasil: 137

Número de medalhas recebidas por Minas Gerais: 32

Decanter World Wine Awards 2022 open for entries - Decanter
O julgamento é feito às cegas

Premiados:

Vinícola Barbara Eliodora Syrah 2023 – 94 pontos – Prata

Casa Geraldo Colheita de Inverno Gran Reserva Syrah 2021 – 94 pontos – Prata

Casa Geraldo Colheita de Inverno Cabernet Franc 2021 – 94 pontos – Prata

Sacramentos Sabina Syrah 2023 – 93 pontos – Prata

Casa Geraldo Colheita de Inverno Gran Reserva Viognier – 93 pontos – Prata

Quinta do Canário Sublime Syrah 2021 – 91 pontos – Prata

Artesã Íngreme Syrah 2021 – 91 pontos – Prata

Vinícola Barbara Eliodora Sauvignon Blanc 2023 – 91 pontos – Prata

Casa Geraldo Gran Reserva Colheita de Inverno Cabernet Sauvignon – 2022 – 90 pontos – Bronze

Maria Maria Heloisa 2022 – 90 pontos – Prata

Sacramentos Il Dolce Far Niente Rosé Pinot Noir 2023 – 90 pontos – Prata

Vinícola Ferreira Piquant Soléil Syrah 2022 – 90 pontos – Prata

Vinícola Pioli Solar Pretenzioso Syrah 2021 – 90 pontos – Prata

Quinta do Canário Soberbo Syrah 2021 – 89 pontos – Bronze

Artesã Mar de Morros Syrah 2021 – 89 pontos – Bronze

Vinícola Ferreira Les Nuages de Noir Rose Brut 2022 – 89 pontos – Bronze

Maria Maria Gaia Gran Reserva Syrah 2021 – 89 pontos – Bronze

Gran Reserva Merlot – 2021 – 89 pts – Bronze

Vinícola Pioli Syrah 2022 – 88 pontos – Bronze

Casa Geraldo Liberdade Bordalês 2021 – 88 pontos – Bronze

Vinícola Barbara Eliodora Gran Reserva Syrah 2021 – 88 pontos – Bronze

Vinícola Pioli Pretenzioso Cabernet Sauvignon – Cabernet Franc – Syrah – Petit Verdot 2021 – 88 pontos – Bronze

Casa Geraldo Colheita de Inverno Syrah 2023 – 88 pontos – Bronze

Maria Maria Iris 2023 – 88 pontos – Bronze

Casa Geraldo Colheita de Inverno Reserva Pinot Noir 2022 – 87 pontos – Bronze

Vinícola Ferreira SF Trompete 2022 – 87 pontos – Bronze

Vinícola Barbara Eliodora Gran Reserva Alvarenga Syrah 2021 – 87 pontos – Bronze

Casa Geraldo Brut 2017 – 87 pontos – Bronze

Casa Geraldo Reserva Syrah – 2022 – 86 pontos – Bronze

Casa Geraldo Colheita de Inverno Gran Reserva Marselan 2022 – 86 pontos – Bronze

Primeira Estrada Sauvignon Blanc 2022 – 86 pontos – Bronze

Se for considerdo que a maioria das vinícolas mineiras premiadas começaram suas atividades após os anos 2000 e muitos dos vinhos agraciados com as medalhas foram produzidos através da colheita de inverno, técnica única no mundo, a vitivinicultura mineira está no caminho certo. É só uma questão de tempo e de cada vez mais prêmios.

Para saber mais da premiação acesse:

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Sobre a autora:

Denise Alves Pereira é graduada em Turismo e em Comunicação Social com especializações em Marketing e Mídias Sociais, Administração de Alimentos e Bebidas, Administração de Marketing e MBA em Coaching – Life, Business and Executive.

É sommelière pela Associação Brasileira de Sommeliers – ABS – MG e formada em Wine Business pela Fundação Getúlio Vargas – FGV – Rio de Janeiro.

Desde 2015, tem especial interesse pelos vinhos produzidos em Minas Gerais.

Publicou o livro “Gastronomia: arte e diversão” sobre técnicas para elaboração de cardápios.

É editora do site espacogourmetmundodagastronomia.com, no qual compartilha seus conhecimentos sobre vinhos, gastronomia e comportamento, além de gestora das páginas @vinhosdeminasgerais e @denisealvespereira_gastronomia.

Sócia da Tavino, empresa especializada em consultoria para negócios e carreiras nas áreas de alimentação e vinhos, englobando enogastronomia e enoturismo, além da comercialização de rótulos.

Atua como palestrante, em função de sua vasta experiência como empreendedora, professora e pesquisadora.

Contatos:

Instagram:

@vinhosdeminasgerais

@tavinobh

E-mail:

deniseap4848@hotmail.com

WhatsApp:

31 99983-4848

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