O comportamento dos consumidores de alimentos – Tendências da Gastronomia no Brasil – 5a parte

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O foco da Gastronomia é desenvolver pratos que agradem e ofereçam prazer àqueles que comem.

As transformações sociais e econômicas, ocorridas a partir dos anos 90, influenciaram os consumidores, que passaram a ter novos comportamentos em função das novas ofertas.

As mudanças no comportamento dos comensais foram influenciadas pelo crescente aumento da necessidade de alimentação fora do lar; por preocupações quanto à segurança alimentar; pela exigência imposta pela necessidade de conveniência; pela valorização de aspectos culturais, regionais e exóticos; por causa da preocupação ambiental e pelo direitos e exigências legais.

O conhecimento do perfil do público é hoje uma importante ferramenta para os negócios de alimentação. Deve-se saber a faixa etária, classe social, atividade profissional, hábitos religiosos, crenças, preferências, comportamento e valores dos comensais.

A personalidade gastronômica ganhou contornos de modernidade que se moldam em parâmetros como status, proteção ao planeta, saúde, modismo, globalização, ascensão social e, como sempre, o bolso.

No livro Gastronomia no Brasil e no Mundo, Dolores Freixa e Guta Chaves, abordam a questão que “estamos vivendo uma grande transição e é difícil de entender de maneira plena o que está acontecendo neste momento de efervescência da gastronomia. Somos bombardeados constantemente com milhares de informações e propagandas que nos induzem a aceitar a avalanche de produtos oferecida pela indústria alimentícia.”

Hoje o consumidor é mais bem informado e consequentemente mais exigente. E isso vai influenciar no prato.

Novas necessidades surgiram e os estabelecimentos foram e ainda estão se adequando. Área de estacionamento, manobrista, entrega em domicílio, Wi-fi, recreação para crianças, permissão para levar vinhos, acesso para deficientes físicos e adega climatizada representam, hoje, uma parte dos serviços e adequações solicitadas pelos clientes no mercado da alimentação.

Atualmente, as avaliações feitas pelos mais diversos guias  voltados para o segmento de alimentos e bebidas auxiliam e em certos casos induzem as decisões das pessoas quanto aonde e o que comer.

Considerando que a gastronomia envolve desenvolvimento de produtos e   prestação de serviços, o comportamento do consumidor será vulnerável de acordo com suas percepções e características pessoais com relação à comida e ao atendimento.

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Tipos de comensais:

Alex Atala e Carlos Alberto Dória, no livro Com unhas, dentes e cuca, ressaltam que “a frase nós somos o que comemos, tão popular, tem o sentido de indicar esse caminho entre o prato e a construção do eu de cada um. Essa é a coisa mais geral que se pode dizer sobre a alimentação moderna, mas é necessário ir além, nos aproximando dos tipos sociais concretos de consumidores de alimentos.”

No mesmo livro, eles apresentam os três tipos primeiramente descritos abaixo, aos quais acrescentamos mais alguns.

Podemos encontrar mais de um tipo em uma só pessoa.

  • Gourmet: bem informado sobre gastronomia, tem experiências variadas da questão. É exigente e aberto a novos experimentos.
  • Funcional: está em busca dos benefícios para a saúde que a alimentação pode oferecer além do prazer.
  • Cidadão: preocupa-se com as questões relativas à sustentabilidade X alimentação.
  • Olho Gordo: só se interessa pelas quantidades. Quanto mais é melhor para ele.
  • Gente fina: come pouco, sempre atento à quantidade de calorias dos pratos.
  • Esnobe: seu interesse é por uma alimentação baseada em ingredientes caros e tidos como sofisticados.
  • Da moda: segue as tendências. Se o glúten está sendo crucificado, ele o retira de sua alimentação sem  atentar sobre o real significado deste ato.
  • Para viver: só come para sobreviver. Não se interessa pelo assunto.
  • Morto a fome: está sempre com fome e não se importa com o que está comendo.
  • Gastrochato: vive dando “aulas” sobre gastronomia, sem entender o mínimo sobre o assunto.
  • Estrela: aquele que todos os pratos que come diz fazer melhor.
  • Da terra: só se alimenta da cozinha local. Fechado a novas experimentações.
  • Carteira: só come o que seu dinheiro consegue pagar.
  • Tô podendo: oriundo das classes C e D, que teve um mercado gastronômico especialmente desenvolvido para ele.
  • Limpinho: a higiene é o quesito mais importante.
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O célebre francês, Brillat-Savarian, em 1826, já dizia que “convidar alguém equivale a encarregar-se da sua felicidade enquanto estiver conosco.”

Diante disso, a qualidade do prato tem que ser estendida ao tratamento  dispensado ao comensal. Deve-se estar atento aos comportamentos para que o atendimento seja quase exclusivo ou customizado.

Tipos de clientes:

  • Nervoso: muitas vezes mal humorado, apressado e de mal com a vida. Às vezes, a fome pode ser o motivo do nervosismo. Agradá-lo é muito mais difícil.
  • Indeciso: Não sabe o que quer e troca o pedido várias vezes.
  • Do contra: tudo o que for sugerido não vai atendê-lo.
  • Silencioso: quando não foi atendido da maneira desejada não evidencia sua insatisfação.
  • Submisso: aceita tudo que lhe é oferecido, sem reclamar.
  • Crítico: reclama de tudo.
  • Cordial: para ele tudo está bom. É sempre muito educado.
  • Gérson: gosta de levar vantagem em tudo. Sempre quer um desconto, parcelamento ou cortesia.
  • Entendido: conhece de comida e bebida e faz questão de qualidade.

Qual é a do seu consumidor?..

Seja na cozinha ou no salão, o importante é que todas as ações sejam pensadas de forma a agradar e reter aquele que faz com que o setor de alimentação ganhe seu pão de cada dia.

Hoje em dia, a busca pela qualidade e o preço são o “X” da questão gastronômica para agradar a qualquer comensal.

Tendências da Gastronomia no Brasil – http://espacogourmetmundodagastronomia.com/2015/07/07/tendencias-da-gastronomia-no-brasil/

2 comentários em “O comportamento dos consumidores de alimentos – Tendências da Gastronomia no Brasil – 5a parte”

  1. Sería bom uma pesquisa sobre o tipo de consumidor dependendo da região. Mudam muito as costumes e a mentalidade. Sou estrangeiro e no nordeste perceví que pessoal é muito fechado pra novas comidas, simplesmente porque desconfiança ou por medo de passar por ignorantes se não conhecer os ingredentes. Outra coisa que tambem perceví é que a qualidade da comida nao está no primeiro lugar, não é o mais importante. Quem não tem dinheiro so procura preço, e quem tem dinheiro procura bom ambiente e bom lugar pra mostrar que tem dinheiro pra gastar e tambem pra estar entre pessoas da mesma situaçao financieira.

    1. Denise Alves Pereira

      Bom dia!

      realmente o perfil do consumidor varia de acordo com a sua classe econômica e sua localização. Não conheço nenhum estudo sobre isso.
      Sucesso!

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